16 de abr. de 2015

O "empurrãozinho" inicial

No começo de sua trajetória, toda banda precisa de um incentivo. Seja ele moral ou financeiro. E há casos em que pessoas fazem de tudo para ajudar os músicos a percorrer esse caminho.

Marcelo é dono de uma loja de percussão e bateria, a Batucadas 1000, situada no bairro de Moema, em São Paulo. Mudou-se recentemente para lá, após um longo período na Rua Teodoro Sampaio, na região de Pinheiros, um centro tradicional de lojas de música. E foi ali que, em setembro de 2007, a banda GLEP começou a dar os seus primeiros passos.

Nessa entrevista, ele conta como foi o início da trajetória dos quatro garotos (Gabriel, Lucas, Eduardo e Paulo), e o que fez para ajuda-los na caminhada em busca de reconhecimento.

GR: Por que você decidiu ajuda-los?

Marcelo: Além do fato de o Gabriel, meu filho, estar na banda eu via um potencial nesses meninos. Eles tinham um diferencial em relação às novas bandas que começavam. Eu sabia que eles poderiam ter algum futuro.

GR: O que fazia deles diferentes?

Marcelo: Quando tocavam juntos, eles tinham uma sonoridade muito bacana. O que contava bastante para a qualidade do som deles eram também as influências. Eles ouviam coisas como Van Halen, Iron Maiden, Kiss, Metallica... Isso é coisa rara para a molecada de hoje, que dirá lá de 2007.

GR: Qual era a sua participação no início, como braço direito?

Marcelo: Bom, eu basicamente cedia o estúdio para os ensaios. Eles chegavam do colégio, iam todos lá pra loja encontrar o Gabriel para ensaiar. Às vezes eu entrava no estúdio enquanto tudo estava rolando para dar algumas sugestões, ou mesmo para dizer o quanto eles estavam indo bem. Nos shows, a gente levava os equipamentos lá da loja mesmo, contava com a ajuda de alguns amigos, montava o palco e esperava o show. E, é claro que, eu filmava tudo. Tinha que deixar registrado para mostrar a evolução deles com o passar do tempo.

GR: Como você via a relação deles com o público?

Marcelo: Eles tinham o público fixo deles, que sempre acompanhava. Além da gente, os pais e a família, tinham os amigos deles da escola que sempre compareciam nos shows. Mas, era impressionante a forma como eles cativavam a galera durante o show. A música era boa. Claramente, eles se completavam. O Lucas era o vocalista, cantava bem, mas não interagia tanto com o público. Nisso, o Eduardo compensava. O Gabriel sempre bem lá atrás na bateria. E o Paulo nos solos de guitarra... Então, essa mistura que eles tinham era bem bacana.

GR: Qual foi o seu momento mais marcante assistindo eles?

Marcelo: Mais marcante... Dá para citar bastante coisa. Mas, o primeiro show é sempre inesquecível. Eles tocaram no colégio que o Gabriel e o Lucas estudavam, num Sarau Cultural. Me lembro quando meu filho chegou em casa e me perguntou se poderia levar a bateria para a escola para tocar junto com um amigo dele (o Lucas, que era o vocalista), e que já tinham um guitarrista e um baixista. Eu aceitei na hora! Era maravilhosa essa ideia de formar uma banda.
Tem também o festival do Bateras Beat que eles ganharam, só com bandas adultas tocando. Eles eram os únicos menores de idade no bar aquela noite. Quase não conseguiram entrar para tocar por conta da idade. Mas, apesar de tudo, eles mandaram muito bem no palco e acabaram ganhando o festival. O prêmio era gravar 3 músicas no estúdio do Bateras.

GR: E tem algum momento triste?

Marcelo: Fiquei triste quando eles deixaram de ensaiar no estúdio lá da loja, porque não dava para acompanha-los tão de perto. Mas, eu entendi. Eles estavam crescendo e, de certa forma, queriam estar mais livres e independentes. Porém, independente disso, eu estava sempre nos shows.

Foi ruim também quando, depois de algumas formações diferentes, eles pararam com a banda. Eles tinham, e têm muito potencial. Mas, sinceramente, espero que um dia eles voltem. Como as grandes bandas do rock, às vezes, fazem.

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