17 de abr. de 2015

Pato Fu - Uma Metamorfose Ambulante

A banda independente Pato Fu lançou, no final de 2014 o álbum “Não Pare Pra Pensar”, o primeiro sem o baterista da formação original, Xande Tamietti que foi substituído por  Glauco Nastacia.

Ativos desde 1993, quando lançaram o primeiro álbum “Rotomusic de Liquidificapum” e apesar das mudanças,  jamais perderam a essência, sempre provocadores e com letras irreverentes, conquistam fãs jovens de mente aberta.

Essa não é primeira pausa longa que os integrantes fizeram, eles tinham lançado o CD Ruído Rosa em 2001, e no ano seguinte fizeram a turnê do seu DVD ao vivo MTV,  eles decidiram dar um tempo na carreira para que a vocalista Fernanda Takai e o guitarrista e principal John Ulhoa pudessem cuidar da filha recém nascida.


Eles voltaram em 2005, já como uma banda independente, com o disco “Toda Cura Para Todo o Mal” que estreio o selo da banda, Rotomusic, pelo qual eles já gravaram mais quatro álbuns, “Daqui Pro Futuro” (2007),  a coleção de covers “Musica de Brinquedo” (2010/2011) e o mais recente “Não Pare Pra Pensar” (2014).

Em casa! Pato Fu faz show em Belo Horizonte

A banda mineira Pato Fu se apresenta neste sábado, 18 de abril, em Belo Horizonte no Sesc Palladium. Os ingressos para a apresentação custam R$ 40 e trabalhadores do comércio de bens, serviço e turismo têm 15% de desconto. 

O álbum “Não Pare de Pensar”, o mais recente do grupo, foi gravado e mixado na casa do guitarrista e principal compositor da banda, John Ulhoa, e lançado pelo selo independente do quinteto além de contar com a participação do cantor americano Ritchie.

Inicialmente como uma banda apenas de covers, Half Jack aposta em som próprio


A banda foi formada em meados de 2012, quando Thales Naujocks (guitarra) e Johnny Martins (vocal) resolveram criar um projeto para tocar rock e se divertir.
O que antes era diversão, depois de um tempo foi se tornando algo sério, e após algumas mudanças em sua formação, a banda inicia seu ciclo em 2015, com a estréia de seu primeiro EP, intitulado “Tiro Certo”, com 4 faixas autorais que abordam temas relacionados a situações que ocorreram com os integrantes ou pessoas conhecidas. A proposta da banda é fazer Rock’n’Roll com originalidade, sem rótulos.

Nós da Garagem Rock, resolvemos conhecer um pouco a rotina da banda, como a frequência de ensaios, as dificuldades, curiosidades, e a gente conta aqui para vocês!

A Half Jack começou como uma banda apenas de covers, assim como a maioria das bandas, tendo como influência Guns and Roses, Pearl Jam, Alter Brigde, entre outras.
Os ensaios eram uma vez por mês, após apostarem no som próprio, a rotina de ensaios aumentou e dependendo de datas de shows, passaram a ensaiar até duas vezes na semana.

Como toda banda independente, sempre há dificuldades. “O maior problema é a falta de grana. Cada um tem que dar seus pulos para conseguir dinheiro para gravação, ensaios, gasolina para se deslocar”, explica Johnny (vocal).

A banda tem colaboradores que ajudam com as redes sociais, agenda de shows e ensaios, mas o maior esforço e responsabilidade é dos próprios integrantes. Eles também tem o apoio da família (o que é muito importante), desde que iniciaram na música, porém todos tem rotinas paralelas, trabalham em outros lugares, fazem faculdade, etc. “Todo mundo aqui apoia muito a minha tentativa como músico”, conta Johnny.

O público ainda está se formando. “A galera tem aprendido algumas letras já, e é isso que a gente mais curte”.
Bora conhecer o trabalho dos caras então?
Ouça e baixe o EP “Tiro Certo” aqui.

Confira abaixo o vídeo que o Johnny gravou pra gente:



HALF JACK é:  Johnny Martins (vocal), Thales Naujocks (guitarra), Rick Wagner (guitarra), Maurílio “Bola” Neto (baixo) e Eduardo Lopes (bateria).

16 de abr. de 2015

Vortice: literalmente, uma banda de garagem

A banda Vortice começou em São Paulo, no fim de 2014. Leroy (bateria), Felipe (baixo e vocal) e Francisco (guitarra) decidiram se juntar. No início, era apenas um divertimento, sem comprometimento total. Eles apenas se reuniam em um espaço para tocar juntos, músicas aleatórias. 
Depois de certo tempo e de algumas conversas, decidiram formar definitivamente uma banda. “Foi um projeto que começou na brincadeira, mas a banda acabou rolando A nossa liberdade e amizade fizeram com que acontecesse a banda, conjunto de ideias que compartilhamos e concordamos e também as conversas.”

“Nem sempre as músicas saem como o planejado. O que era pra ser mais um estilo Hard Core acabou virando um Reggae por conta da diversidade.” Sem um estilo definido, a banda mescla alguns. Certos trabalhos puxam mais para o rock, outros mais para o reggae. Fruto da diversidade de influência dos membros.

A Vortice nunca esteve em um estúdio profissional propriamente dito, para ensaios. A rotina acontecia na casa do baterista Leroy, que já tinha o instrumento na sala de casa. Isso acabava facilitando as coisas. Com equipamento próprio, faziam seus ensaios às vezes na presença de amigos. E eram esses que ajudavam em alguma necessidade. “Ás vezes em alguns ensaios tinham uns loucos amigos nossos que davam palpites em um ou outro acorde de alguma música. É assim que eles nos ajudam”, conta Leroy.

A maior dificuldade para as bandas independentes no cenário atual, na grande maioria das vezes são os lugares para fazer os shows. Produtoras que obrigam um valor antecipado, venda de ingressos, entre outros aspectos. Isso tudo somado, atrapalha muito o desenvolvimento da banda. No caso da Vortice, não é diferente. “O pior é achar lugar pra tocar, sem precisar pagar e vender cota de ingressos.” Em alguns casos, é achada uma saída pra que a banda continue na estrada e eles conseguiram. “Nós fazemos nossos próprios eventos, tocando em festas de amigos ou em casa mesmo. Minha irmã me ajuda nessa parte. Ás vezes ela empresta a casa para fazermos os shows.”

No Brasil, formam-se cada vez mais bandas. E, para se destacar, é necessário aquele “algo a mais”. Independente do estilo ou da qualidade da música, é preciso algo diferente. “Tem que ter aquele diferencial nos shows, fazer alguma coisa nova. Senão, você não vai ter público.”, diz Francisco, guitarrista da banda.

Quanto ao apoio familiar, há divergência nas opiniões. Alguns apoiam, outros desaprovam. Pelo fato de a musica poder levar a diferentes caminhos, inclusive o das drogas. Além de o mercado ser muito concorrido e pouco promissor. Mas há o lado bom, também. Estar no meio artístico incentiva a conhecer novas pessoas, ajuda a ter um conhecimento mais amplo do mundo, em geral, e contribui para o aparecimento de novas bandas no país.


O que se espera é que o mercado se desenvolva mais para dar oportunidade a bandas da nova geração e que possam permanecer nas paradas por bastante tempo, como é o caso da Vortice.

O "empurrãozinho" inicial

No começo de sua trajetória, toda banda precisa de um incentivo. Seja ele moral ou financeiro. E há casos em que pessoas fazem de tudo para ajudar os músicos a percorrer esse caminho.

Marcelo é dono de uma loja de percussão e bateria, a Batucadas 1000, situada no bairro de Moema, em São Paulo. Mudou-se recentemente para lá, após um longo período na Rua Teodoro Sampaio, na região de Pinheiros, um centro tradicional de lojas de música. E foi ali que, em setembro de 2007, a banda GLEP começou a dar os seus primeiros passos.

Nessa entrevista, ele conta como foi o início da trajetória dos quatro garotos (Gabriel, Lucas, Eduardo e Paulo), e o que fez para ajuda-los na caminhada em busca de reconhecimento.

GR: Por que você decidiu ajuda-los?

Marcelo: Além do fato de o Gabriel, meu filho, estar na banda eu via um potencial nesses meninos. Eles tinham um diferencial em relação às novas bandas que começavam. Eu sabia que eles poderiam ter algum futuro.

GR: O que fazia deles diferentes?

Marcelo: Quando tocavam juntos, eles tinham uma sonoridade muito bacana. O que contava bastante para a qualidade do som deles eram também as influências. Eles ouviam coisas como Van Halen, Iron Maiden, Kiss, Metallica... Isso é coisa rara para a molecada de hoje, que dirá lá de 2007.

GR: Qual era a sua participação no início, como braço direito?

Marcelo: Bom, eu basicamente cedia o estúdio para os ensaios. Eles chegavam do colégio, iam todos lá pra loja encontrar o Gabriel para ensaiar. Às vezes eu entrava no estúdio enquanto tudo estava rolando para dar algumas sugestões, ou mesmo para dizer o quanto eles estavam indo bem. Nos shows, a gente levava os equipamentos lá da loja mesmo, contava com a ajuda de alguns amigos, montava o palco e esperava o show. E, é claro que, eu filmava tudo. Tinha que deixar registrado para mostrar a evolução deles com o passar do tempo.

GR: Como você via a relação deles com o público?

Marcelo: Eles tinham o público fixo deles, que sempre acompanhava. Além da gente, os pais e a família, tinham os amigos deles da escola que sempre compareciam nos shows. Mas, era impressionante a forma como eles cativavam a galera durante o show. A música era boa. Claramente, eles se completavam. O Lucas era o vocalista, cantava bem, mas não interagia tanto com o público. Nisso, o Eduardo compensava. O Gabriel sempre bem lá atrás na bateria. E o Paulo nos solos de guitarra... Então, essa mistura que eles tinham era bem bacana.

GR: Qual foi o seu momento mais marcante assistindo eles?

Marcelo: Mais marcante... Dá para citar bastante coisa. Mas, o primeiro show é sempre inesquecível. Eles tocaram no colégio que o Gabriel e o Lucas estudavam, num Sarau Cultural. Me lembro quando meu filho chegou em casa e me perguntou se poderia levar a bateria para a escola para tocar junto com um amigo dele (o Lucas, que era o vocalista), e que já tinham um guitarrista e um baixista. Eu aceitei na hora! Era maravilhosa essa ideia de formar uma banda.
Tem também o festival do Bateras Beat que eles ganharam, só com bandas adultas tocando. Eles eram os únicos menores de idade no bar aquela noite. Quase não conseguiram entrar para tocar por conta da idade. Mas, apesar de tudo, eles mandaram muito bem no palco e acabaram ganhando o festival. O prêmio era gravar 3 músicas no estúdio do Bateras.

GR: E tem algum momento triste?

Marcelo: Fiquei triste quando eles deixaram de ensaiar no estúdio lá da loja, porque não dava para acompanha-los tão de perto. Mas, eu entendi. Eles estavam crescendo e, de certa forma, queriam estar mais livres e independentes. Porém, independente disso, eu estava sempre nos shows.

Foi ruim também quando, depois de algumas formações diferentes, eles pararam com a banda. Eles tinham, e têm muito potencial. Mas, sinceramente, espero que um dia eles voltem. Como as grandes bandas do rock, às vezes, fazem.