No começo de sua trajetória, toda banda precisa de um incentivo. Seja ele moral ou financeiro. E há casos em que pessoas fazem de tudo para ajudar os músicos a percorrer esse caminho.
Marcelo é dono de uma loja de percussão e bateria, a
Batucadas 1000, situada no bairro de Moema, em São Paulo. Mudou-se recentemente
para lá, após um longo período na Rua Teodoro Sampaio, na região de Pinheiros,
um centro tradicional de lojas de música. E foi ali que, em setembro de 2007, a
banda GLEP começou a dar os seus primeiros passos.
Nessa entrevista, ele conta como foi o início da trajetória
dos quatro garotos (Gabriel, Lucas, Eduardo e Paulo), e o que fez para
ajuda-los na caminhada em busca de reconhecimento.
GR: Por que você decidiu ajuda-los?
Marcelo: Além do fato de o Gabriel, meu filho, estar na
banda eu via um potencial nesses meninos. Eles tinham um diferencial em relação
às novas bandas que começavam. Eu sabia que eles poderiam ter algum futuro.
GR: O que fazia deles diferentes?
Marcelo: Quando tocavam juntos, eles tinham uma sonoridade
muito bacana. O que contava bastante para a qualidade do som deles eram também
as influências. Eles ouviam coisas como Van Halen, Iron Maiden, Kiss,
Metallica... Isso é coisa rara para a molecada de hoje, que dirá lá de 2007.
GR: Qual era a sua participação no início, como braço
direito?
Marcelo: Bom, eu basicamente cedia o estúdio para os
ensaios. Eles chegavam do colégio, iam todos lá pra loja encontrar o Gabriel
para ensaiar. Às vezes eu entrava no estúdio enquanto tudo estava rolando para
dar algumas sugestões, ou mesmo para dizer o quanto eles estavam indo bem. Nos
shows, a gente levava os equipamentos lá da loja mesmo, contava com a ajuda de
alguns amigos, montava o palco e esperava o show. E, é claro que, eu filmava
tudo. Tinha que deixar registrado para mostrar a evolução deles com o passar do
tempo.
GR: Como você via a relação deles com o público?
Marcelo: Eles tinham o público fixo deles, que sempre
acompanhava. Além da gente, os pais e a família, tinham os amigos deles da
escola que sempre compareciam nos shows. Mas, era impressionante a forma como
eles cativavam a galera durante o show. A música era boa. Claramente, eles se
completavam. O Lucas era o vocalista, cantava bem, mas não interagia tanto com
o público. Nisso, o Eduardo compensava. O Gabriel sempre bem lá atrás na
bateria. E o Paulo nos solos de guitarra... Então, essa mistura que eles tinham
era bem bacana.
GR: Qual foi o seu momento mais marcante assistindo eles?
Marcelo: Mais marcante... Dá para citar bastante coisa. Mas,
o primeiro show é sempre inesquecível. Eles tocaram no colégio que o Gabriel e
o Lucas estudavam, num Sarau Cultural. Me lembro quando meu filho chegou em
casa e me perguntou se poderia levar a bateria para a escola para tocar junto
com um amigo dele (o Lucas, que era o vocalista), e que já tinham um
guitarrista e um baixista. Eu aceitei na hora! Era maravilhosa essa ideia de
formar uma banda.
Tem também o festival do Bateras Beat que eles ganharam, só
com bandas adultas tocando. Eles eram os únicos menores de idade no bar aquela
noite. Quase não conseguiram entrar para tocar por conta da idade. Mas, apesar
de tudo, eles mandaram muito bem no palco e acabaram ganhando o festival. O
prêmio era gravar 3 músicas no estúdio do Bateras.
GR: E tem algum momento triste?
Marcelo: Fiquei triste quando eles deixaram de ensaiar no
estúdio lá da loja, porque não dava para acompanha-los tão de perto. Mas, eu
entendi. Eles estavam crescendo e, de certa forma, queriam estar mais livres e
independentes. Porém, independente disso, eu estava sempre nos shows.
Foi ruim também quando, depois de algumas formações
diferentes, eles pararam com a banda. Eles tinham, e têm muito potencial. Mas,
sinceramente, espero que um dia eles voltem. Como as grandes bandas do rock, às
vezes, fazem.